Da Água, dá Fala

Exposição Da água dá fala”

Memória descritiva

A exposição Da água dá fala”a realizar no Centro de Artes e Ofícios de Trás di Munti na Ilha de Santiago, desenvolve a ideia de continuidade, do correr da água, como o discorrer da memória e tem como matéria as vozes das mulheres desta comunidade, a água e os potes modelados pelas oleiras.

Águas submersas, águas que emergem em cada momento, na fala de cada mulher, nos gestos do beber, na fala que nomeia e relembra.

A exposição tem como base a cultura material do lugar, a sua olaria. A história de cada um destes objectos é feita pela recolha do depoimento sonoro realizado por mulheres que ao falarem de si, da sua casa, falam também das outras mulheres a quem estes potes pertenceram e das que modelaram os potes.

Algumas estórias dos lugares podem surgir: uma casa, um poço, uma ribeira, a planta da tinta, um tecelão, uma nuvem, uma noiva ou o Monte Graciosa.

As histórias constituem-se assim como um rio que emerge no espaço do Centro de Artes e Ofícios, murmúrios que flutuam no espaço da casa comum.

Recolha

O trabalho de campo orientado para o domínio da cultura material, assumido na linha do registo e levantamento de dados etnográficos foi realizado por um estagiário da licenciatura em Antropologia da Universidade Nova de Lisboa – Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Pedro Grenha, em parceria com Pedro da Conceição que se ocupará da componente visual.

O material recolhido, recipientes para guardar água, potes e moringos e as entrevistas ( história dos objectos ) em registo áudio e em vídeo a partir do qual se materializa a exposição, e se organiza o fundo documental para futuras acções. Prevê-se como resultado a edição de uma monografia.

Montagem / Instalação

Trata-se de uma exposição de carácter poético / documental, concebida a partir de um projecto de investigação multidisciplinar assente numa perspectiva das artes visuais e das artes tradicionais, numa vertente etnológica. A exposição, centrada na valorização, divulgação, das técnicas das artes tradicionais, actua simultaneamente como uma homenagem às velhas mestras, no sentido de perpetuar a memória do lugar. Na 1ª sala um pote antigo cheio de água será o único objecto colocado no centro deste espaço (iluminado pelo lanternim da cúpula ), sobre as paredes pequenos altifalantes propõem ao espectador a audição dos depoimentos das mulheres do local, exigindo uma aproximação para ouvir as suas histórias de vida e das outras mulheres, as oleiras que fizeram os potes das suas casas. Deste modo pretende-se promover um reforço identitário. Nesta escuta a voz individual e todas as vozes no espaço materializam um murmúrio “intemporal”.

O registo áudio por sua vez constitui-se de depoimentos, vozes de mulheres, as quais de forma informal se expressam sobre matérias directamente imbricadas na questão da água. Serão estas “histórias” materializadas por diálogos de mulheres não exclusivamente da comunidade de oleiras, como também por mulheres da Comunidade que constituem o corpo da exposição e enfatizam a visão que estas perspectivam sobre uma realidade rural na qual se assiste a uma luta constante com a escassez deste elemento.

Vozes de Mulheres from Pedro Grenha on Vimeo.

Ficha Técnica

Autoria: Virgínia Fróis

Recolha etnográfica e registo áudio: Pedro Grenha

Captação vídeo: Pedro da Conceição

Montagem audiovisual: João Bastos

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