Dar voz aos objetos

Este projeto, promovido pelo Museu da Luz desde o ano de 2006, tem como objetivos a documentação do acervo etnográfico através das vozes dos seus doadores e, simultaneamente, a construção de narrativas em torno das suas histórias de vida que nos conduzem, também, à comunidade.

É selecionado um objeto da reserva, sobre o qual doadores e informantes nos falarão. Estas conversas são geralmente realizadas na mesa da memória do museu, as quais são registadas em vídeo.

coordenação | Maria João Lança

pesquisa e conteúdos | Maria João Lança e Ana Valadas

imagem, som e edição | Pedro Grenha

com a participação de | Jacinto Suzano

Edia, S.A. | Museu da Luz

O objeto

A cachamorra está associada ao ofício de pastor. Trata-se de uma vara de madeira, geralmente de oliveira esculpida pelo próprio pastor, que lhe dava a forma desejada. Dependendo da sua configuração e do tipo de gado que o pastor guardava assim era a designação do objeto. O vaqueiro usava a cachamorra, uma vara afeiçoada com o nó da madeira numa extremidade. O cabreiro usava o cajado (ou cacheiro), uma vara direita com uma volta na ponta, que servia para o pendurar do braço. O pastor de ovelhas usava uma simples vara direita com o nome de bordão.
Estes objetos eram usados pelos guardadores de gado como um encosto, pois passavam muitas horas no campo, sempre de pé: colocavam a cachamorra debaixo do braço e encostavam-se, dando assim descanso ao corpo. Como diz Jacinto, o pastor anda a pé o dia inteiro, doem os rins e por vezes é mesmo preciso deitar-se de costas no chão, junto dos animais.
Hoje não há pastores!

Jacinto sabe que na nova aldeia e nos tempos de hoje já não há espaço para os pastores, mas insiste em não abandonar esta atividade. “Eu estou acostumado a isso, não sei estar na aldeia quieto. Tenho que andar sempre.” Percorre diariamente as margens de Alqueva com os seus animais, levando muitas vezes consigo a cana de pesca, no lugar do bordão.
Quando lhe perguntam se o trabalho de pastor é hoje diferente, responde prontamente: “ – Ah, então hoje nem sequer há pastores… Hoje não há pastores, então onde é que há os pastores?”

link | http://www.museudaluz.org.pt/index.htm?no=671000100182

A cachamorra pelo pastor Jacinto Suzano. Onde é que hoje há os pastores?

A cachamorra pelo pastor Jacinto Suzano. Onde é que hoje há os pastores? from Pedro Grenha on Vimeo.

 

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