Um Rio, uma barragem e uma aldeia. Recolhas na aldeia da Luz

Trata-se de um programa de recolhas na aldeia que incide na enfatização do conceito de ‘aldeia dupla’, retratando práticas e aspetos do passado e fazendo emergir características adaptativas da vida na nova Luz. Privilegia o registo de todos os aspectos da nova vida social, cultural e económica na nova povoação, envolvendo a comunidade.

Memória descritiva |

A presente memória descritiva versa sobre o trabalho científico produzido, enquanto colaborador no âmbito dos projectos de investigação interna do Museu da Luz, tutelado pela Empresa de Desenvolvimento de Infra-estruturas de Alqueva, no período compreendido entre Setembro e Dezembro de 2011, com a finalidade de incrementar o arquivo audiovisual do Museu da Luz.

Sumário |

Na sequência do trabalho desenvolvido pelo Museu da Luz, no âmbito de programas de investigação interna em torno do território e da comunidade da Luz, o projecto Um rio, uma barragem e uma aldeia: Recolhas na aldeia da Luz, incide na vida na nova Luz, tendo em vista a constituição de um corpus documental que, nesta fase do projecto, privilegiou a abordagem aos aspectos das novas dinâmicas agrícolas na aldeia. No âmbito do projecto de emparcelamento rural integrado na freguesia da Luz foram definidas estratégias de reconversão agrícola das culturas e do uso do solo. A reorientação do sector agrícola apostou na inovação das culturas, apresentando um projecto de reconversão do olival e um projecto de instalação da vinha.

Os pressupostos passam por retratar o quadro da vida rural da nova Luz incidindo, num primeiro plano, sobre as práticas agrícolas, especificamente sobre a cultura da vinha e na olivicultura. Pretende-se efectuar uma leitura em torno dos modelos de especialização da agricultura, fixando as continuidades e mudanças no tecido fundiário, nas práticas e na estrutura social de uma comunidade rural.

Os propósitos da pesquisa incidem sobre o uso de material visual na produção de conhecimento sociocultural e científico, atenta às novas formas de expressão cultural e uso da cultura em contextos locais, possibilitando a reflexão em torno das questões de uma
antropologia de urgência assumida nas formas narrativas de carácter audiovisual, do registo etnográfico.

Esta linha de investigação visa, por um lado, incrementar o Arquivo de Memórias do Museu da Luz através da produção de registos audiovisuais sobre as comunidades e por outro, radiografar e revalorizar o campo das práticas da cultura através do suporte vídeo.

Palavras-chave | Território; emparcelamento rural; práticas da cultura; modernização da agricultura; reinvenção da tradição

Identificação das problemáticas |

No âmbito do Projecto de Emparcelamento Rural implementado na Freguesia da Luz assistiu-se à reconversão dos sistemas culturais praticados até então. Na proposta de ordenamento de uso do solo, as unidades agrícolas a integrar privilegiaram a reestruturação do olival e a instalação da vinha como inovação cultural.
No caso da vinha, a sua instalação assumiu uma forma de recompensa, uma espécie de indemnização a atribuir a cada proprietário pela expropriação das suas terras. Para além de repor a unidade paisagística, a instalação da vinha representa sem dúvida uma mais valia na evolução da economia agrária local.

Em A vinha da Luz. Uma cultura mecanizada, assiste-se ao avanço tecnológico dos processos da vindima. Se em tempos esta cultura era operada com base na esfera doméstica, actualmente assume novos contornos. Aqui é evidente o papel do associativismo na organização fundiária e logística do processo da vindima. Através da introdução do regadio, como medida de reorientação do sistema produtivo agrícola, da mecanização e racionalização da vitivinicultura, orientada para a redução dos custos de produção e aumento da produtividade e níveis de qualidade, o projecto da reconversão cultural assumiu grandes contornos no panorama agrícola da freguesia.
Este vídeo define-se como um registo descritivo do processo mecanizado da vindima, orientado para a comercialização a grande escala, a partir de um método “minimal” resumido à intervenção quase exclusiva dos mecanismos tecnológicos.
Tal como a natureza do objecto, a linguagem aqui adoptada é igualmente mecânica, pautada pelos ritmos e ruído da máquina, protagonista de um processo literalmente intensivo, que nos transporta para a realidade actual do sistema de produção local.

Vinha da Luz. Uma cultura mecanizada, 2011, 18’40’’, cor, 4:3, DV PAL

Realização, captação e edição de som e imagem | Pedro Grenha

Produção | EDIA, S.A / Museu da Luz

Vinha da Luz. Uma cultura mecanizada from Pedro Grenha on Vimeo.

Por outro lado, em Da vindima ao vinho. A retoma de um processo, assiste-se à reinvenção dos costumes, a uma manifestação da continuidade das práticas instituídas na afirmação da identidade local. Retomando uma das variáveis do quadro agrícola existente na velha Luz, a produção de vinho destinado para autoconsumo, constitui actualmente uma “nova” dinâmica da comunidade.
Estruturado em dois momentos, este vídeo retrata o processo manual da vindima e o processo de moagem da uva, absorvido entretanto pela modernização dos sistemas tecnológicos, contudo assente num referencial colectivo.

Da vindima ao vinho. Retoma de um processo, 2011, 13’51’’, cor, 4:3, DV PAL

Realização, captação e edição de som e imagem | Pedro Grenha

Produção | EDIA, S.A / Museu da Luz

Da vindima ao vinho. A retoma de um processo from Pedro Grenha on Vimeo.

Já no caso do olival a sua reconversão agrícola foi definida como medida para colmatar as deficiências do quadro das culturas permanentes na aldeia velha. A nova orientação dos prédios rústicos permitiu a reposição de novos olivais que actualmente constituem um dos suportes mais significativos da estrutura socioeconómica da Luz. Aqui, tal como no caso da vinha, a mecanização da cultura traduz a absorção do projecto familiar, num contexto onde a estrutura associativa1 surge como o organismo que monitoriza os recursos humanos e tecnológicos envolvidos.

Olival da luz. Uma cultura reconvertida, sugere assim uma leitura actual sobre o processo da apanha da azeitona, no qual as práticas tradicionais se coadunam e complementam com os novos modelos tecnológicos que operam no quadro agrícola actual.

Olival da luz. Uma cultura reconvertida, 2011, 16’40’’, cor, 4:3, DV PAL

Realização, captação e edição de som e imagem | Pedro Grenha

Produção | EDIA, S.A / Museu da Luz

Olival da Luz. Uma cultura reconvertida from Pedro Grenha on Vimeo.

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